quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

Desconstrução

Hoje o dia foi intenso e terminou fora de horas… Entre actividades e segmentos, bonecos e bossas, quem saiu a sentir-se um dromedário fui eu. As conversas pontuais fazem-me mal, sinto sempre que não consigo ser aquilo que gostava que fosse perante os outros. Visões globais são ofuscadas por pormenores irrelevantes. Um dia espero chegar lá.


O caminho para casa foi desviado até ao final do que é possível andar. Tal como o tempo, também eu estava triste, embora sem motivo aparente, que nas profundezas do sentimento consciente encontrava a razão.

Subida a rua, meia volta na Fnac e o regresso a casa fez-se molhado. O céu disse de sua justiça e as gotículas de águas frenéticas que morriam na minha cara ajudavam a lavar a alma. Gostava de ser como ele, não se inibe na hora de mostrar o que sente. Tal como eu, hoje acordou solarengo, deixou ver o rei que nos enche de alegria, mas terminou triste. Subitamente.

O regresso foi cauteloso, que o basalto leva-nos mais rápido do que queremos. Duas ou três pessoas que circulam, entre elas um que, não fora tê-lo visto sentado na Brasileira, julgava que havia ressuscitado tal era a sua silhueta e jeito franzino num fato preto. Ao virar-se, vi que não tinha bigode.

Há muito que não andava à chuva, foi bom.

Ao entrar em casa tudo calmo. Fantasma fora, viajantes também. A música foi escolhida com prudência, que nestes estados de alma não se pode deixar as notas por músicas alheias! A melancolia levou ao Magnólia, sempre bom para reflectir.

Começaria em breve a desconstrução. O que há um mês era ânsia e inquietação, agora estava convertido em tristeza. É a saída de um espaço que eu própria criei e com o qual tanto me identifico. Pelo seguro, aqui vou para uma nova incerteza.

Agora tudo está pacífico. O sono espreita, o vento agita portas e a necessidade de partilhar a noite vivida projecta já a melhor forma de abordagem…

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2 Comments:

Blogger Unknown said...

Cristina, sem palavras... É engraçado como achamos que conhecemos bem as pessoas e, de repente, somos assim surpreendidas como eu fui ao ler este texto.
Não sabia destes teus dotes para a escrita. Posso dizer-te, com toda a franqueza, que gostei muito (que para ti se traduz em bastante) do texto. E aquele pormenor de F.Pessoa está genial :)
Quem és tu, Cristina? Lol. Um talento escondido?

Muitos Parabéns pelo blog! Ganhaste mais uma fã ;)

12:54 da tarde  
Blogger CL said...

:) Ainda bem que gostaste! Até me senti envergonhada... ;)

Sou a pessoa que conheces, claro, e bem!

Aqui digo o que me vai na alma... Os dotes da escrita não sei se os tenho, pelo menos como gostaria, mas vou fazendo "o gosto ao dedo".

Espero que voltes! Gostei muito (que para ti será bastante) da tua visita! :)

Beijinhos

2:52 da tarde  

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