Pensando eu que precisava de fotos tipo (para o) passe novas (as últimas que tirei datam de 2004), procurei um fotógrafo de bairro, daqueles que ainda preparam a cor do cenário e nos dizem para olharmos para tal sítio (como a "unha do Inácio"), senhor este que tinha o preçário em exposição, o qual consultei enquanto ele falou ao telefone e sorriu com ar de "é só um minuto". Dada a quantia mencionada para 4 fotografias, e visto que seriam "rápidas e sem tratamento", aproveitei a longa conversa e saí pela mesma porta por onde tinha entrado... Estava tentada a procurar uma máquina de fotos no metro, das que nos fotografam como se estivessemos com cara de quem quer fugir daquele buraco o mais depressa possível. Não eram estes os meus planos iniciais, mas dado que, achava eu, seriam necessárias para o passe, e enquanto esperava por uma amiga no Chiado, desci as escadas rolantes só para ver se havia e qual o preço. Este era bem mais convidativo... A máquina até parecia não me querer comer e entrei, depois de olhar para o espelho cá fora. Senti-me como se estivesse a fazer algo proibido ou indevido, como se as pessoas passem e pensassem "ahah, vais tirar fotografias...", o que duvido que tenha acontecido. Lá entrei e a senhora foi muito simpática, deu-me as boas-vindas, seguidas das indicações necessárias para que as fotografias saíssem na perfeição. Depois de seleccionadas as opções desejadas, olhar para o círculo vermelho e 3 tentativas... Ao ver as fotos, QUE SUSTO!!! Com medo de ficar com olhos de carneiro mal morto, fiquei com cara de quem viu um bicho! E, ao entregar a foto para o Lisboa Viva, diz-me a senhora: "se é renovação não precisa de fotografia, vão buscar a que está no registo. Pode entregar, mas com a quantidade de trabalho que têm eles nem vão ligar e fica com a antiga". E agora? Quero o meu dinheiro de volta e tirar esta imagem de "olhos arregalados" da minha memória!!
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